"Magna Mater", é a minha interpretação para o arquétipo da "Grande Mãe", e trata-se de uma escultura em tela de metal galvanizado.
Neste álbum estão algumas fotos editadas, baseadas nesta escultura, as fotos não representam-na, em sua totalidade, na maneira como ela é realmente, pois, aquela, encontra-se na tela de metal pura, abrasivada com soda cáustica, na cor prateada escurecida, e, estas aqui retratadas, algumas sofrem alterações devido à iluminação ou edição de imagem, ou, ainda, adesão de alguns adereços.
Meu trabalho com as esculturas sempre ocorre em paralelo com a feitura de fotos, que eu manipulo a meu bel prazer, recriando formas com as imagens obtidas. (Uma hora destas monto uma mostra fora da internet com estas imagens também... :)
Sobre arquétipos (e o assunto Magna Mater):
"'Muitos de nós conhecemos o seu significado [para arquétipo]* não-psicológico: modelo, protótipo, qualquer que seja ele. Entretanto, (...) [aqui]*, é preferível adotar o seu sentido psicológico. Jung define o arquétipo de modos diferentes em suas várias obras. Por exemplo, lemos que arquétipo é "...um padrão instintivo de comportamento que existe no inconsciente coletivo". Ele é "transcendente". Em outras palavras, os arquétipos não são simplesmente parte do inconsciente pessoal de um indivíduo, mas algo bem maior. Eles transcendem o indivíduo e têm uma forma independente de existência no nível coletivo.
Jung também nos diz que um arquétipo é "como um cristal em sua forma", e "como um recipiente vazio" que contém em si "modos de comportamento idênticos em todos os lugares e em todos os indivíduos". Jung afirma que dentro deste padrão um indivíduo consciente pode dar forma ao arquétipo; ele pode decidir participar da energia positiva do arquétipo e não da sua energia negativa.
Enquanto tivermos um recipiente vazio da Deusa, o arquétipo de Câncer ou a Magna Mater de Jung, por exemplo, teremos um cristal puro, um recipiente transparente. E, todavia, não temos forma. Poderíamos chamar esse recipiente vazio de "Ventre", como no 'Rig Veda', mas um indivíduo teria dificuldade em venerá-lo ou em relacionar-se com a 'Magna Mater' neste estado. Várias culturas dão forma à 'Magna Mater', à Grande Mãe: algumas são positivas, outras não (como a Mãe Terrível ou Devoradora). As 'formas' é que são adoradas. para o devoto, o recipiente não está mais vazio e o cristal não está mais puro.
Joseph Campbell mencionou, em "Occidental Mithogy", que seria improvável que um católico, sabendo, se ajoelhasse e orasse num santuário dedicado à deusa Ísis. Logo que a arte modela formas individuais da Deusa e os cultos locais são embelezados com o mito e o ritual, cada cultura personaliza o arquétipo. A 'Magna Mater' reveste-se de muitas formas, desde a compassiva 'Kwan Yin' da China até a Terrível Mãe Káli da Índia, adornada com caveiras em torno do pescoço, serpentes em seu cabelo e com a língua protuberante. Há, no arquétipo, muitas formas. Estamos livres, como o católico em visita ao egito, para não nos ajoelharmos em alguns dos santuários, se assim o preferimos. (...)'" - Kathleen Burt in ARQUÉTIPOS DO ZODÍACO (Archetypes of the Zodiac), Ed. Pensamento, SP, 1988 - p. 15.
Notas:
* Os acréscimos entre colchetes são meus.
Obs.: O texto teve de sofrer alterações nos grifos originais, que foram substituídos por aspas, devido a não se poder formatar por aqui, e eu estar com preguiça de ir ao blog/journal para fazer isso... :)
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P.S.1: Convite pra exposição - se alguém ainda não recebeu (se já recebeu, e for de novo, desculpe, mas é que parece que o site está tendo problemas com os postes...) - dia 09/11/2006:
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